A história numa taça de Martini por Paulo

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/static/uploads/imagens/imagem_24.jpegJames Bond gosta com Vodka, mas o original é de Gim. O Dry Martini, ou Martini para os íntimos, é um tiro. É um soco desferido por uma mão de ferro com luvas de pelica. Depois de alguns goles você já pode sentir o efeito generoso deste cristal líquido agindo na sua estrutura cerebral, e aos poucos você vai entendendo porque ele embalou aqueles romances dos filmes da era dourada de Hollywood. Nova York não seria a mesma sem um bom Martini para entendê-la. Segundo uma das versões sobre a origem do clássico, Martini é o sobrenome do cara que criou este drink para um certo John D. Rockefeller, que pediu uma coisa simples e diferente a ele num hotel em NY no início do século passado. Outros dizem que o ele nasceu em San Francisco na California, em 1860, quando um Barman ofereceu a invenção para animar um cliente que iria viajar para o vilarejo de Martinez, a 35 quilometros dali. A receita é simples, porém controversa quanto às quantidades dos ingredientes que compõem a bebida. Gim é tudo, ou quase tudo, pois é necessário que se adicione algumas gotas do Vermut francês Noilly Prat. E é aí que começa a polêmica. Ernest Hemingway disse que se você estiver perdido na selva africana, é só começar a preparar um Martini que logo aparecerá alguém pra dizer que não são três mas cinco gotas de Vermut. E por aí vai. Azeitona verde, twist de limão ou não. Ah! Gelar a taça antes é fundamental, e ao contrario do estilo Bond, o original é Stirred not Shaked, ou seja, é apenas mexido e não batido na coqueteleira. O cineasta espanhol Luis Buñuel gostava apenas de "molhar" o gelo com Vermut antes de derrubar o Gim. Já o grande primeiro ministro etílico da Inglaterra Sir Winston Churchill tinha uma receita infalível: Você pega uma garrafa de Gim e outra de Vermut, olha bem pra garrafa de Vermut e não põe nada, põe apenas Gim. O jornalista Gay Talese, prefere sem azeitona. Bom, chega uma hora que é Gim puro, e aí não podemos esquecer de seus maiores consumidores. O escritor americano Francis Scott Fitzgerald e sua mulher Zelda entornavam tanto Gim que a filha deles, que se chamava Frances, escreveu num diário que uma das lembranças de sua infância era o cheiro perfumado da bebida que pairava pela casa. O casal que arrepiava nas festas loucas dos anos 1920, a época conhecida como Era do Jazz, também ajudou a celebrizar o Drink. Dizem que o maluco com cara de coroinha aí embaixo chegava ao ponto de aparecer em festas com maços de dólares aparecendo no bolsinho do paletó quando estava tomado pelo Gim. Daí saiu a matéria prima dos seus eternos romances The Great Gatsby e Tender is the Night, entre outros. Nem preciso dizer que fim deu tudo isso. Tragédia, loucura e morte.
Scott Fitzgerald

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Dry Martini é o sonho americano em forma líquida. É a música de Chet Baker. É o cinema. É a melancolia dos romances de Scott Fitzgerald. É a bravura de Churchill, que livrou o mundo do abstêmio Adolf Hitler.

Agora, se tudo isso não for o suficiente pra você se sentir impelido a provar um bom Martini, só me resta lhe recomendar o suco de alfafa com maçã do restaurante vegetariano Alternativa na Vila Madalena. Só não beba muito. Você pode ficar verde!

Cheers!

abçs

Paulo Pedroso

Comentários (9)

 

yolita
Adorei! a tempos queria saber algo sobre esse aperitivo

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Olá é a 3ª vez que vi o teu blog e adorei tanto!Espectacular Projecto! Até à próxima

 

 

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