
Falar da Vallontano sem falar de seu enólogo é no mínimo enxergar seus vinhos de forma distorcida. Luís Henrique Zanini é um talentoso enólogo e conhecedor dos vinhos mais obscuros que possamos imaginar. Lendo o livro Gosto e Poder, do cineasta sommelier Jonathan Nossiter, temos uma noção de quem é o Zanini. No livro descobri que vários vinhos nacionais de que gostava e achava que tinha conhecido através do Ed Motta, na verdade foram apresentados ao Nossiter pelo Zanini. São vinhos que, quando quero consumir um vinho brasileiro, é atrás deles que eu vou. Para citar alguns exemplos: Angheben, Quinta Ribeira de Mattos, Cave Ouvidor, Vallontano e Era dos Ventos. São vinhos pouco conhecidos do grande público, mas que se assemelham pela pequena produção e ausência de manipulação, para se parecerem com os exemplares Chilenos e Argentinos.
O vinho tomado foi o Vallontano Tannat 2007, que só vai chegar ao mercado, através da Mistral, em maio. A Vallontano é a única vinícola brasileira a constar no portfólio consagrado da Mistral. O vinho tem um corpo médio e não está tão tânico e rústico como outros exemplares da cepa. Bastante aromático, deve fazer frente ao exemplar 2004, que foi o que tornou o vinho conhecido dos enófilos garimpeiros como eu.

Eugênio Oliveira
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